Trago no peito amores, que talvez o mundo não entenderia,
Que grandes estruturas abalaria, e memoráveis guerras deflagraria...
Trago no meu peito o Amor dos fortes,
Aquele que suporta o golpe de viver no silêncio,
Marcado pela ausência e pela eterna saudade.
Trago no meu peito um amor que o mundo não saberia entender,
Mas que me guia rumo ao pesadelo doce de desejar o impossível,
E de me contentar com isso...
Trago em meu peito uma grande marca, cujo nome e rosto somente eu entendo.
Cuja delicadeza somente às mais belas flores se assemelha
E com ninguém mais se pode confundir...
Trago em meu peito um amor que ri ao chorar,
Que grita em silêncio,
Que idioma algum consegue traduzir,
Palavra alguma nomeia,
E que, por isso, cala: Não se faz visível aos olhos comuns,
Porque Amor assim é vivência de poeta,
E os poetas não são comuns.
Os poetas o mundo não entende...
Trago em meu peito um Amor que o mundo não aceitaria, criticaria,
Rejeitaria...
Mas que é a maior busca de mim,
Que me dividiu eternamente em Antes e Depois,
Para ser mais nada mais Além
Do Amor que trago em meu peito
E que o mundo jamais entenderia...
Fragmentos são partes soltas... é isso que encontrarão aqui. Fragmentos do meu eu, dos meus pensamentos e sentimentos que, com carinho, vou publicando, compartilhando... todos somos fragmentos aos olhos dos outros, todos somos mistérios indecifráveis que a natureza lança na vida e para a vida!
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Olhos nos olhos
"O que eu sou hoje é como a unidade no corredor do fim da casa,
Ponto grelado nas paredes...[...] É estar eu sobrevivente a mim mesmo, como um fósforo frio".
(Fernando Pessoa)
Encaro a fotografia que, dia após dia, torna-se antiga e assume as cores que o tempo decide, em sua infinita sabedoria e paciência, aplicar à imagem que, um dia, reproduziu fielmente minha aparência. Assim como tudo que independe de minhas vontades, vejo cores com nuances que eu não desejaria, bem como a deformidade da imagem em relação a que agora, encara a outra, inerte e reproduzida como mero borrão, formas mortas e frias, ausente de alma. Seja no papel, seja na tela do computador, pouco a pouco percebo aumentar a distância entre mim e a pessoa da foto.
É inevitável, irrepreensível o poder, a capacidade de passar, que o tempo possui: ao mesmo tempo em que deforma a forma, ele restabelece a alma na eterna conjuntura da mudança. Deixo de ser eu continuamente, a fim de não me perder em meu próprio eu. Percebo-me no vivo e inconstante paradoxo da existência: cada vez que me perco de mim, entro em sintonia comigo mesma de maneira mais intensa, mais profunda...
Olho novamente a foto, referência fixa de um tempo que se foi e levou junto de si tudo que eu era, tudo que eu desejava ser, tudo e todos em que eu acreditava, o amor que eu vivia e os sonhos que acalentava... percebo que este contato é o mesmo que encarar, olhos nos olhos, a distância que me separa de mim. A compreensão de para onde me levaram cada uma das minhas vivências e a incerteza de aonde chegarei com as vivências de agora.
Porque a vida é esse mistério de se descobrir diferente daquilo que, um dia, se pensou ser; de se perder no infinito de quem se é no presente e de não fazer a menor ideia de quem será no futuro. E a fotografia me diz que, de tudo isso, há uma certeza, apenas: Não serei, amanhã, quem sou hoje. E isso me deixa aliviada, ao mesmo tempo em que me enche de receios...
domingo, 4 de maio de 2014
O Mandamento Maior
"Me ame quando eu menos merecer, pois é quando mais eu necessito".
(Madre Tereza de Calcutá)
Algo capaz de aproximar os ausentes,
Alimentar, com o lírio da esperança,aquele que fraqueja pela dor da saudade,
Saciar a sede com um brilho nos olhos,
Salvar um dia com um beijo,
Aquecer o frio da solidão, apenas com a lembrança de um abraço.
O Amor desconhece distâncias,amplia saudades,
Provoca e faz esquecer as dores, pois por ELE, tudo vale a pena.
Em nome do Amor, todas as belas palavras do mundo,
O AMOR é o complexo simples.
É dELE que parte a beleza das flores,
É ELE a alma de todas as coisas, o brilho de todas as cores,
Quem ama despe a alma,
Renuncia,
Aceita,
Provoca,
Respeita,
É a força suave, o silêncio que ensurdece,
A única e verdadeira guerra santa.
O Amor me aproxima de quem a vida me afasta,
Permite-me ter quem não me pertence.
nELE não há regras, pois ELE é o Maior de todos os Mandamentos.
O Amor é a fraqueza dos fortes e força dos fracos,
É a força contraditória que equilibra o mundo.
quinta-feira, 13 de março de 2014
Só de passagem
Só de passagem eu vi tantas coisas e nada deixei gravar,
Só de passagem vi as cores que a vida me ensinou a pintar,
Só de passagem vi amores que, um dia, sonhei ficar,
Só de passagem, tantos se foram, e eu aqui, ainda, a sonhar...
A vida é voz que não precisa falar,
Só de passagem por ela é possível ficar,
Numa palavra dita, num olhar que brilhou, num toque rápido de mãos
Que mesmo, só de passagem, deixou um perfume, tatuou uma imagem.
Se tudo é só uma passagem por onde deslizo no portal do tempo,
Por que tanta coisa ficou?
Que alma é essa que não pára?
Que grito é esse, que não cala?
Que ferida é essa que não sara?
Por que, só de passagem, feriu e a ferida não passou?
Porque é preciso que se deixe, deixe que passe...
Jamais passa aquilo que se prende,
Jamais sara a ferida contemplada,
Jamais cura a mágoa recordada...
Então deixa, deixa que a poeira do tempo apague o brilho cruel da dor,
Deixa que as cinzas do esquecimento tornem opacas as forças do grito,
Deixa que murchem as flores e delas se apague a cor,
Que lhes caiam as pétalas feito vida que se esvai,
Deixa na memória apenas a lembrança doce, do perfume que tiveram...
Só de passagem vi as cores que a vida me ensinou a pintar,
Só de passagem vi amores que, um dia, sonhei ficar,
Só de passagem, tantos se foram, e eu aqui, ainda, a sonhar...
A vida é voz que não precisa falar,
Só de passagem por ela é possível ficar,
Numa palavra dita, num olhar que brilhou, num toque rápido de mãos
Que mesmo, só de passagem, deixou um perfume, tatuou uma imagem.
Se tudo é só uma passagem por onde deslizo no portal do tempo,
Por que tanta coisa ficou?
Que alma é essa que não pára?
Que grito é esse, que não cala?
Que ferida é essa que não sara?
Por que, só de passagem, feriu e a ferida não passou?
Porque é preciso que se deixe, deixe que passe...
Jamais passa aquilo que se prende,
Jamais sara a ferida contemplada,
Jamais cura a mágoa recordada...
Então deixa, deixa que a poeira do tempo apague o brilho cruel da dor,
Deixa que as cinzas do esquecimento tornem opacas as forças do grito,
Deixa que murchem as flores e delas se apague a cor,
Que lhes caiam as pétalas feito vida que se esvai,
Deixa na memória apenas a lembrança doce, do perfume que tiveram...
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Comparativos: poesia de trovador
Feito animal no cio eu te farejo,
Percorro o mundo seguindo o teu cheiro,
A textura de sua pele.
Feito alguém perdido no deserto, eu te necessito,
Qual água para saciar a minha sede;
Feito retirante, eu caminho em busca de você,
Terra fértil, minha fonte de vida, alimento da alma.
Feito criança carente, eu busco o teu regaço, meu refúgio...
Tal anjo protetor, eu te guardo em mim
... e te liberto...
Mas invejo o mundo...
Sinto inveja da roupa que te veste,
Por ela tocar seu corpo inteiro como eu não posso...
Invejo o Sol que te aquece, como eu faria em meu abraço,
Invejo a brisa que te toca e beija...
Ah, quem dera, ao menos uma vez, ser brisa
A beijar docemente e tocar sua pele macia...
Realizo-me, pois, por meio da Natureza,
Que te acolhe e se aproveita de você,
Ao desfrutar do perfume de sua existência,
Da visão única de sua beleza...
E eis que admiro seu nome,
Qual fiel que venera um santo no altar.
Você é minha oração.
Percorro o mundo seguindo o teu cheiro,
A textura de sua pele.
Feito alguém perdido no deserto, eu te necessito,
Qual água para saciar a minha sede;
Feito retirante, eu caminho em busca de você,
Terra fértil, minha fonte de vida, alimento da alma.
Feito criança carente, eu busco o teu regaço, meu refúgio...
Tal anjo protetor, eu te guardo em mim
... e te liberto...
Mas invejo o mundo...
Sinto inveja da roupa que te veste,
Por ela tocar seu corpo inteiro como eu não posso...
Invejo o Sol que te aquece, como eu faria em meu abraço,
Invejo a brisa que te toca e beija...
Ah, quem dera, ao menos uma vez, ser brisa
A beijar docemente e tocar sua pele macia...
Realizo-me, pois, por meio da Natureza,
Que te acolhe e se aproveita de você,
Ao desfrutar do perfume de sua existência,
Da visão única de sua beleza...
E eis que admiro seu nome,
Qual fiel que venera um santo no altar.
Você é minha oração.
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Mensagem de fim de ano?
Eu poderia me despedir do ano que ora termina. Poderia, tão simplesmente, prestar os votos tradicionais e nem sempre verdadeiros e tão comuns nesta fase do ano. Eu poderia ser alguém comum. Eu poderia ser louca, fazer um escândalo, gritar ao mundo tudo que ficou engasgado ao longo dos últimos doze meses. Vomitar toda angústia e toda dor que não sarou, bem como pular de alegria e dizer bem alto tudo que consegui.
Eu poderia fazer tanta coisa... Poderia ter feito tanta coisa... É período de balanço, de autoconhecimento. Não sei a quem nem a quantos, mas para mim, é. E sei que de alguma forma, esse ano de sufoco me ajudou a ser melhor, nem que seja um pouquinho. Eu poderia fazer muitas coisas, agradáveis ou não, eu sei que poderia e ainda posso. No entanto, só me resta uma vontade: Ser feliz!
Cheguei a uma grande descoberta: A Felicidade não custa caro! E nesse momento de descobertas tão profundas, muitos rostos me passam pela mente. A todos, sem exceção, eu agradeço. Aos que me fizeram mal, aos que me fizeram sofrer, aos que mentiram e mentem sobre mim, Obrigada. Sim, obrigada, pois vocês me fazem valorizar a verdade, enxergar com mais lucidez meus defeitos e, consequentemente, tornar-me melhor. A vocês, eu asseguro, não pagarei com a mesma moeda, estou ocupada demais sendo feliz com cada um que me fez bem durante esse ano.
A estes, meus queridos que há alguns anos me acompanham, bem como os que agora têm se chegado a mim, seja por vontade ou consequências da vida, sejam bem-vindos. Obrigada por todo o bem que me fizeram, pois com vocês eu coloco em prática o bem e o amor que os que não me amam ajudaram-me a valorizar.
Termino o ano amando, apaixonada. Amar é inevitável, disse-me uma poetisa. E acrescento: Amar é indispensável, é vital, é oxigênio da alma. Se serei retribuída, pouco importa, amor que e Amor, liberta. Que a partir de agora eu esteja receptiva a toda mudança que me vier, que eu me encante comigo a cada descoberta. O mundo tem as cores com que eu decidir pintá-lo e quero-o lindo, cintilante. Não são desejos de fim de ano, são conclusões de uma alma viva e que assim se sente.
Quanto aos votos de fim de ano, eu poderia desejá-los como normalmente todos os fazem. Mas só a título de informação, eu não fiz isso. Se desejei feliz natal e ano novo a você, considere-se parte de minha alma, considere-se alguém de "peso" em minha existência.
Sejamos felizes, cultivemos amizades sinceras, cativemos uns aos outros. Os anos passam, a gente muda. só o que é verdadeiro permanece.
Eu poderia fazer tanta coisa... Poderia ter feito tanta coisa... É período de balanço, de autoconhecimento. Não sei a quem nem a quantos, mas para mim, é. E sei que de alguma forma, esse ano de sufoco me ajudou a ser melhor, nem que seja um pouquinho. Eu poderia fazer muitas coisas, agradáveis ou não, eu sei que poderia e ainda posso. No entanto, só me resta uma vontade: Ser feliz!
Cheguei a uma grande descoberta: A Felicidade não custa caro! E nesse momento de descobertas tão profundas, muitos rostos me passam pela mente. A todos, sem exceção, eu agradeço. Aos que me fizeram mal, aos que me fizeram sofrer, aos que mentiram e mentem sobre mim, Obrigada. Sim, obrigada, pois vocês me fazem valorizar a verdade, enxergar com mais lucidez meus defeitos e, consequentemente, tornar-me melhor. A vocês, eu asseguro, não pagarei com a mesma moeda, estou ocupada demais sendo feliz com cada um que me fez bem durante esse ano.
A estes, meus queridos que há alguns anos me acompanham, bem como os que agora têm se chegado a mim, seja por vontade ou consequências da vida, sejam bem-vindos. Obrigada por todo o bem que me fizeram, pois com vocês eu coloco em prática o bem e o amor que os que não me amam ajudaram-me a valorizar.
Termino o ano amando, apaixonada. Amar é inevitável, disse-me uma poetisa. E acrescento: Amar é indispensável, é vital, é oxigênio da alma. Se serei retribuída, pouco importa, amor que e Amor, liberta. Que a partir de agora eu esteja receptiva a toda mudança que me vier, que eu me encante comigo a cada descoberta. O mundo tem as cores com que eu decidir pintá-lo e quero-o lindo, cintilante. Não são desejos de fim de ano, são conclusões de uma alma viva e que assim se sente.
Quanto aos votos de fim de ano, eu poderia desejá-los como normalmente todos os fazem. Mas só a título de informação, eu não fiz isso. Se desejei feliz natal e ano novo a você, considere-se parte de minha alma, considere-se alguém de "peso" em minha existência.
Sejamos felizes, cultivemos amizades sinceras, cativemos uns aos outros. Os anos passam, a gente muda. só o que é verdadeiro permanece.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Eu te reclamo em silêncio: Minha boca cala, meu espírito te chama
E eis que as almas afins reclamam-se mutuamente, mesmo que a mente se engane, engane, negue... O fato é que quando se tem uma ligação espiritual com alguém, os pensamentos se atraem, atraem a presença do outro, mesmo que um ou outro não queira assumir nem para si mesmo. E é assim que tem sido.
Assim também é o amor. Certa vez, disseram-me que somos especiais mesmo é para Deus. Concordei em partes, pois apesar de jamais comparar-me a Deus - por ser indigna de tal comparação - acredito que somos também importantes uns para os outros e que, por isso, reclamamo-nos mutuamente por meio de pensamentos carinhosos, lembranças doces ou mesmo amargas, bem como num desejo da alma de que aquela pessoa esteja bem... Mantemo-nos ligados uns aos outros de tantas outras formas que somente a vivência nos pode mostrar.
Apesar de limitados, somos importantes ou, no mínimo, alguém é importante para nós. E vejam como são doces, misteriosos e profundos os caminhos do espírito! Mesmo as pessoas que não nos correspondem, ainda assim, permanecem importantes a nós.
Há alguém assim, alguém que minha alma reclama, que deseja que esteja bem, mas que as relações interpessoais simplesmente anulam esse contato de forma concreta. Fica, portanto, no espaço mais verdadeiro: Em minha alma.
Impossível não se encantar em como é interessante é quando o pensamento chega a gritar pela pessoa, clamar por ela e ela, do nada, aparecer... Nem me dirige a palavra, mas aparece, e feito um ser que está do outro lado de um campo de força, transparente e intransponível, eu a vejo, sem podê-la tocar. Não nos falamos. Não consigo penetrar-lhe a alma, embora sinta que algo muito profundo reside ali.
É docemente triste perceber que como se eu fosse invisível, a pessoa ali permanece por algum tempo, retira-se como se eu não existisse e, em silêncio, agradeço a Deus por ela estar bem, ou ao menos aparentemente bem.
E lá no fundo da alma algo grita. Inquieta-me não ter certeza se ela ouve esse grito. Se ouve, ao menos, fisicamente, não responde. Acho que as almas comunicam-se de alguma forma, mas é profundo demais e, por isso, a consciência do corpo físico não consegue alcançar, não consegue visualizar de forma nítida...
É estranho...
No fim, algo fica... Algo de doce, de terno, que de tão verdadeiro não precisa ser visto nem ouvido com os sentidos do corpo físico, uma vez que é do Espírito que os verdadeiros sentimentos brotam, é nele que os verdadeiros sentimentos residem. Portanto, não precisam sair do âmago de nossa existência para serem o que são.
Eu sei, tenho certeza... Se a muralha transparente que nos separa continuar a existir onde o peso dos corpos físicos nos separa, um dia minha mão se estenderá para cumprimentar docemente a sua e eu sei, que nesse momento, haverá compreensão de todos os gritos que ora dispensam voz, mas que se concretizaram nos olhares trocados em silêncio e nas vezes em que o silêncio se fez/faz precipício entre nós.
Assim também é o amor. Certa vez, disseram-me que somos especiais mesmo é para Deus. Concordei em partes, pois apesar de jamais comparar-me a Deus - por ser indigna de tal comparação - acredito que somos também importantes uns para os outros e que, por isso, reclamamo-nos mutuamente por meio de pensamentos carinhosos, lembranças doces ou mesmo amargas, bem como num desejo da alma de que aquela pessoa esteja bem... Mantemo-nos ligados uns aos outros de tantas outras formas que somente a vivência nos pode mostrar.
Apesar de limitados, somos importantes ou, no mínimo, alguém é importante para nós. E vejam como são doces, misteriosos e profundos os caminhos do espírito! Mesmo as pessoas que não nos correspondem, ainda assim, permanecem importantes a nós.
Há alguém assim, alguém que minha alma reclama, que deseja que esteja bem, mas que as relações interpessoais simplesmente anulam esse contato de forma concreta. Fica, portanto, no espaço mais verdadeiro: Em minha alma.
Impossível não se encantar em como é interessante é quando o pensamento chega a gritar pela pessoa, clamar por ela e ela, do nada, aparecer... Nem me dirige a palavra, mas aparece, e feito um ser que está do outro lado de um campo de força, transparente e intransponível, eu a vejo, sem podê-la tocar. Não nos falamos. Não consigo penetrar-lhe a alma, embora sinta que algo muito profundo reside ali.
É docemente triste perceber que como se eu fosse invisível, a pessoa ali permanece por algum tempo, retira-se como se eu não existisse e, em silêncio, agradeço a Deus por ela estar bem, ou ao menos aparentemente bem.
E lá no fundo da alma algo grita. Inquieta-me não ter certeza se ela ouve esse grito. Se ouve, ao menos, fisicamente, não responde. Acho que as almas comunicam-se de alguma forma, mas é profundo demais e, por isso, a consciência do corpo físico não consegue alcançar, não consegue visualizar de forma nítida...
É estranho...
No fim, algo fica... Algo de doce, de terno, que de tão verdadeiro não precisa ser visto nem ouvido com os sentidos do corpo físico, uma vez que é do Espírito que os verdadeiros sentimentos brotam, é nele que os verdadeiros sentimentos residem. Portanto, não precisam sair do âmago de nossa existência para serem o que são.
Eu sei, tenho certeza... Se a muralha transparente que nos separa continuar a existir onde o peso dos corpos físicos nos separa, um dia minha mão se estenderá para cumprimentar docemente a sua e eu sei, que nesse momento, haverá compreensão de todos os gritos que ora dispensam voz, mas que se concretizaram nos olhares trocados em silêncio e nas vezes em que o silêncio se fez/faz precipício entre nós.
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